Adolescentes mais velhos ganham chance de proteção com o lançamento da campanha de vacinação contra o HPV em Moçambique

Adolescentes mais velhos ganham chance de proteção com o lançamento da campanha de vacinação contra o HPV em Moçambique
Adolescentes mais velhos ganham chance de proteção com o lançamento da campanha de vacinação contra o HPV em Moçambique

Adolescentes mais velhas ganham oportunidade de proteção com a campanha de vacinação contra o HPV em Moçambique

À medida que Moçambique ofereceu a vacina contra o cancro do colo do útero a meninas com idades entre 12 e 18 anos, a mensagem ficou clara: ainda não é tarde para se proteger.

No final de setembro, o país lançou uma grande campanha de vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), com o objetivo de oferecer proteção às adolescentes que não receberam a vacina na idade recomendada. Autoridades de saúde afirmam que a iniciativa tem sido amplamente bem-sucedida.

Não é tarde demais

A vacina contra o HPV, capaz de prevenir mais de 90% dos casos de cancro do colo do útero, está disponível para meninas moçambicanas na faixa etária de 9 a 14 anos desde 2021. A cobertura ainda era baixa em 2022, com 32%, mas subiu gradualmente para mais de 80% do grupo-alvo até 2024.

“A meta nacional é vacinar 3,142 milhões de meninas. Conseguimos imunizar 2,9 milhões de adolescentes entre 12 e 18 anos.”
Acasio Sabonete, Gestor do Programa de Imunização, Village Reach

Apesar de a maioria da última faixa etária ter sido protegida, muitas meninas mais velhas ainda não tinham sido vacinadas. A campanha mais recente, conhecida como campanha de coorte de múltiplas idades (MAC), oferece imunização para meninas de 12 até 18 anos. As autoridades de saúde esperam que esta medida ajude a reduzir os casos de cancro do colo do útero — atualmente a principal causa de morte por cancro em mulheres moçambicanas acima dos 25 anos — nas gerações mais jovens.

Entendendo a hesitação em Tete e Manica

Em alguns distritos prioritários das províncias de Tete e Manica, a ONG Village Reach tem ajudado o governo a reforçar a campanha de vacinação.

“Treinamos os profissionais de saúde não só para aplicar a vacina contra o HPV, mas também para criar um ambiente que reduza a hesitação em relação à vacinação”, explica Acasio Sabonete, gestor do programa de imunização da Village Reach.

Um ponto-chave da iniciativa são as brigadas móveis, equipes que se deslocam a comunidades de difícil acesso para localizar meninas que não estão na escola ou nunca tiveram oportunidade de frequentá-la. O cancro do colo do útero não é apenas uma questão médica, mas também social, acrescenta Sabonete.

A Village Reach adotou uma abordagem “centrada no ser humano”, realizando workshops comunitários com adolescentes, cuidadores, líderes tribais e religiosos, a fim de compreender melhor o grupo de meninas mais velhas que ainda precisava de vacinação, antes mesmo de a vacina chegar às comunidades.

“O que ouvimos como principal motivo da hesitação em Moçambique é que algumas religiões não permitem a vacinação. Outro fator é a falta de informação. As pessoas sabem que existe a doença, o cancro do colo do útero, conhecem pelo nome local, mas não sabem exatamente o que a causa, nem como preveni-la.”
Acasio Sabonete, Village Reach

Vozes das meninas

Nas semanas anteriores ao lançamento da campanha, informações promovidas pelo Ministério da Saúde e seus parceiros começaram a circular nas comunidades: de igrejas a escolas, de táxis a mercados e praças.

Para algumas adolescentes mais velhas, como Paulina Mateo, de 17 anos, residente no distrito de Vanduzi, Manica, foi a primeira vez que ouviram falar da vacina.

Paulina deixou a escola aos 10 anos, após ficar órfã, e tornou-se trabalhadora doméstica.

“Ouvi falar um pouco sobre uma doença chamada cancro do colo do útero aos 15 anos, mas só soube da vacina contra o HPV quando minha amiga de 17 anos, que ainda está na escola, me contou sobre sua importância em outubro”, relata Paulina.

Sua amiga, Noma Gudo, aluna do ensino secundário em Vanduzi, foi vacinada na campanha MAC após conhecer a iniciativa por meio de enfermeiras da igreja.

“Todas as meninas mais velhas da minha turma foram vacinadas. Fiquei feliz até perceber que Paulina, minha melhor amiga, que não estuda, não sabia da vacina. Sentei-me com ela, expliquei os benefícios médicos em língua Ndau. Ela tirou um dia de folga do trabalho, foi à clínica e foi vacinada”, conta Noma.

Para Paulina, ser incluída significou muito. Ela afirma que a maioria das meninas pobres, fora da escola e trabalhando em casas, minas ou quintais, está “fora da vista”. Receber a vacina significa:

“Não vou morrer de dor no útero. Vou poder ter filhos, não vou contrair o cancro e perder tempo com profetas e curandeiros.”

Fazendo a diferença

Durante a campanha, a vacina estava disponível em escolas, hospitais e ações de outreach. A vacinação em escolas funciona bem para meninas em idade escolar. Meninas fora da escola, como Paulina, são mais difíceis de alcançar.

A entrega direta de informações às comunidades menos assistidas provou ser uma tática eficaz. As brigadas móveis da Village Reach visitam as casas:

“É importante explicar que há relação entre a vacina e a proteção contra o cancro do colo do útero, com base em evidências médicas.”

Nos distritos de difícil acesso, onde a Village Reach atua, alcançaram 60% do objetivo MAC.

“Esperávamos atingir 95% das meninas da MAC. Conseguimos alcançar esse número nacionalmente. A meta nacional é 3,142 milhões; vacinamos 2,9 milhões de adolescentes entre 12 e 18 anos.”
Acasio Sabonete

Desafios complexos

Vacinar adolescentes em Moçambique sempre foi um desafio. O país possui terreno vasto e irregular, com 60% da população vivendo em áreas rurais. Transportes são precários ou inexistentes e muitas clínicas, profissionais de saúde e escolas estão distantes ou ausentes. Além disso, mudanças climáticas aumentam a mobilidade da população, dificultando o acesso à vacinação.

“Todos os anos somos afetados por mudanças climáticas e calamidades. Os ciclones Idai e Freddy causaram devastação, vidas perdidas, destruição de hospitais e deslocamento de milhares de famílias”, diz Sabonete.

Olhando para o futuro

A vacinação contínua fora de campanhas é essencial, já que campanhas são caras e não sustentáveis a longo prazo.

“A recuperação das meninas mais velhas que não foram vacinadas continuará a fazer parte da prestação de cuidados de saúde primários, com apoio dos parceiros implementadores.”
Quinhas Fernandes, Diretor de Saúde Pública, Ministério da Saúde

O caminho ainda é longo e os riscos são altos. Cerca de 4.000 mulheres moçambicanas morrem de cancro do colo do útero por ano, e ainda não se sabe exatamente quantas meninas elegíveis perderam a oportunidade de receber a vacina.

“O número de meninas mais velhas que não receberam a imunização é teoricamente muito alto. Precisamos de uma pesquisa para cruzar dados do censo e determinar o tamanho real desse grupo.”
Acasio Sabonete

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